Descobri que meu colaborador foi a uma entrevista de emprego

Essa foi a frase que ouvi de um cliente esses dias, acompanhada de um pedido de conselho sobre esse comportamento, que, de acordo com ele, é antiético. Será mesmo que seja falta de ética do colaborador ou os empregadores, cada vez mais, têm se sentido dono das pessoas? A relação entre colaborador e empresa é profissional? Ou vocês são do time que consideram todos uma família, como já falamos aqui?


A pandemia fez com que as pessoas enxergassem a vida com outros olhos e isso gerou movimentos em todos os setores da vida. Em nenhuma relação saudável, você deve ver o outro como uma propriedade sua. São crenças diferentes, sonhos diferentes. Em uma pesquisa da McLean & Company, há um ano, 54% dos trabalhadores afirmaram que a pandemia afetou o desejo de mudar de carreira. Portanto, nem tudo é sobre você. Agora, se você é um líder maduro, vai saber extrair o melhor dessa situação. Acompanhe o meu raciocínio.


Um levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) concluiu que 51% das demissões dos profissionais qualificados neste mesmo período do ano passado, ou seja, no terceiro trimestre de 2021, ocorreram a pedido dos próprios profissionais. Isso deve acontecer, em grande maioria, porque as pessoas precisam esconder suas impressões reais do trabalho atual. Ou seja, as empresas obrigam as pessoas a reprimirem e esconderem seus anseios e planos. E nesse caso, certamente, serão muitas as situações em que as organizações são pegas de surpresa.


Porém, se a sua empresa tem um ambiente psicologicamente seguro, está tudo bem falar sobre carreira, sonhos, desejos, performance, contentamentos, desapontamentos, possibilidades e oportunidades. Você oferece suporte aos seus colaboradores para um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) e alinha as expectativas deles com as suas, e assim percebe se ambas estão convergindo para o mesmo objetivo.


Em janeiro deste ano, a empresa de recrutamento especializado Robert Half, mostrou que 49% dos profissionais pretendiam buscar novas oportunidades em 2022. A motivação para 61% era pura e simplesmente mudar de empresa, pois demonstravam interesse em permanecer na mesma área. Isso tudo corrobora com a ideia de que as empresas não vêm dando abertura para que a equipe apresente o que espera das suas carreiras.


Para evitar que essa seja a situação da sua empresa, é preciso alguns ajustes, como o desenvolvimento de uma cultura organizacional saudável, segura, evolutiva, de autonomia, responsabilidade e transparência. Fale abertamente sobre as oportunidades e contribua para o crescimento das pessoas, não apenas hierarquicamente, mas em conhecimento e performance. Isto é, seja um bom líder, daqueles que inspiram. Até porque se você não sabe agir enquanto liderança e os colaboradores só permanecem por falta de opção, significa que você não conta com uma equipe muito qualificada também.


Se mesmo assim, seus colaboradores decidirem ir a uma entrevista, aproveite para um benchmarking. Afinal, se todos estiverem em um ambiente seguro, eles terão confiança em abrir para você, em tempo real, como os concorrentes estão se posicionando e o que estão prometendo. Peça para quem for, contar o que gostou, para você ver se é possível adaptar para a sua estratégia e cultura organizacional, e o que não gostou, para que você possa reforçar os pontos positivos do seu negócio. Talvez você perca alguns no início, mas será um importante crescimento de liderança, comportamento, processos, entre outros.


Você verá uma evolução na experiência do colaborador como um todo, até que ninguém mais leve os seus melhores profissionais. Ou até que ele tenha crescido tanto que você nem tem mais condições de aproveitar o que ele pode oferecer e aí, nessa altura, você ficará feliz por ele e entenderá que qualquer um tem o direito de zelar pela carreira.


Então, me diz, na sua empresa quem é o antiético? O colaborador que participa de processos seletivos escondido ou você, que ainda se sente dono das pessoas?



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